quarta-feira, 15 de setembro de 2010

viva a democracia!

Viva a democracia! Viva o regime em que a livre manifestação das idéias e do pensamento da sociedade constitui direito inalienável de todas as pessoas! Enquanto a democracia estiver respirando, o contraditório, o questionar e, sobretudo, as críticas necessárias para correções de rumos governamentais, serão bemvindos, até porque vão fortalecê-la e lançar a luz nas confrontações de idéias e projetos, endossando ou reprovando o desempenho daqueles que exercem mandato.

Muito aprendemos com esse processo. Mas, lamentavelmente, há um contexto em que, pela grosseria ilimitada e pela verborragia chula, resvalando no acinte pessoal, algumas lideranças políticas - atoladas na falta de discursos, de programas e, portanto, de perspectivas eleitorais - trocam a planície do embate democrático e saudável pelo subterrâneo escuro do preconceito, da truculência e até mesmo do golpismo.

Ainda bem que o grau de amadurecimento da sociedade brasileira deixou nas calendas do passado o tempo em que bastava um assovio na porta dos quartéis para deixar as tropas militares em estado de alerta. O Partido dos Trabalhadores, ao perder três eleições presidenciais com Lula, e mesmo prejudicado por manipulações grosseiras e covardes, jamais deixou de creditar legalidade aos pleitos realizados e reafirmar seu compromisso com a ordem democrática.

Naqueles dias, para os que festejavam as sucessivas derrotas de Lula, as instituições em nosso país, funcionavam de forma positiva e soberana, tal qual um relógio suíço. Hoje, porém, a conveniência tucano-demista quer de todas as formas deslegitimar a vitória iminente e inconteste de Dilma Rousseff. Na disputa política, as oposições expressam nervosismo ao verem frustradas as expectativas que nutriam por uma atuação desastrosa da candidata petista. Assim, na bacia das almas, em derradeiras tentativas de evitar uma derrota acachapante, apelam para o terror e o medo, consorciando suas ações com os grande meios de comunicações do País. Ousam, dizer , ameaçadores, que a democracia em nosso país corre perigo.

Ora, a democracia não pode ser responsabilizada pela escolha errada do PSDB ou pelos equívocos na condução de seu processo interno, como foi o caso da sagração de um anti-vice, ou ainda por Serra, de forma deliberada e por orientação de marketing, ter escondido seu grande líder FHC e “paparicado” Lula, ela, não pode ser responsabilizada pela falta de democracia interna, pela falta de compromissos programáticos, e pelo flagrante isolamento social em que os tucanos estão submetidos.

A rigor, a única aliança que lhes restam é com a mídia corporativa que, com sua linha editorial, e suas matérias feitas sob encomenda, tenta infantilizar a sociedade brasileira. Nessa visão, parcial e engessada basta o monocórdio de noticias negativas contra Dilma e o PT para tornar possível o segundo turno. Esse filme vem sendo exibido à exaustão, todos os dias úteis e feriados, na tevê nos jornais durante os sete anos e meio de governo Lula. De tão velho e repetido, a platéia, a sociedade, já nem presta atenção aos personagens do dramalhão.

Há tempos existe uma sintonia fina entre o discurso tucano e as manchetes da chamada grande imprensa. O raciocínio é simples: os tucanos (do PSDB) e demistas (do DEM) sonham repetir a fórmula de 2006. A grande verdade é que as oposições diagnosticaram de forma equivocada as ações do governo Lula. Para elas, seriam meras obras de ficção conquistas do governo Lula como o PAC, o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa-Família, o Prouni, a geração de milhões de empregos, o plano de combate à crise mundial, a recuperação da indústria naval, a liquidação da dívida externa, o resgate da auto-estima do povo e tantas outras iniciativas. A similaridade entre o grau de satisfação/aprovação do governo Lula e a intenção de votos apurada pelos institutos de pesquisa em favor de Dilma, confirmam cabalmente os equívocos que jogaram a campanha de Serra nesse labirinto sem saída.

Para ter maior (ou melhor) condição de competitividade nestas eleições a oposição teria que se mostrar mais competente, profissional, arrojada, coesa, convincente. A campanha de Serra contrariou tudo isso, atraindo para si o que eles desejavam para a Dilma. Não se pode culpar Lula e Dilma pelo malogro dos adversários. Envolvida por um verdadeiro apagão político e estratégico, a oposição não conseguiu promover um embate eleitoral denso e caudaloso, nem sequer apresentou projetos e propostas para o País. Infelizmente a coligação de tucanos e demistas adernou, enveredou-se e se perdeu na raia miúda dos factóides e do denuncismo para tentar vencer a qualquer preço, inclusive, utiliza-se fartamente desses “pseudos escândalos” para esconder a sua incompetência. A continuar assim, nem o famoso colete de Alkimin estampado com as marcas das estatais, Serra terá condições de usar. Deprimente.

Marcos Alex Azevedo de Melo